Visitas ao Báu IV- Neptuno,o Senhor do Mar e regente do décimo segundo signo, Peixes

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É fácil perdermo-nos em Neptuno… Por isso, o melhor,  é mesmo começar pelo início, contando sobre o seu nascimento.

Talvez ainda se lembrem que Saturno, o pai de Neptuno, tomado pelo medo de ser destronado, devorava os seus filhos. E que Reia, que já estava mesmo cansada de perder os seus rebentos, engendrou uma forma, assim como tinha feito com Júpiter e com Plutão, de esconder Neptuno da fúria devoradora de seu pai entregando-o a uns pastores para que fosse criado longe de perigos.

Quando o temor de Saturno se concretizou e os seus próprios filhos, por razões que ele próprio alimentou com o seu medo de perder o poder, o expulsaram do trono Olímpico, coube a Neptuno, como recompensa pela participação revoltosa, o reino das águas e assim chegou ao cargo de Senhor dos Oceanos.

Como símbolo do seu poder, usa o tridente com o qual abala a terra e os oceanos, criando os terramotos e os maremotos. Com o seu toque, faz brotar água e tem o direito de criar as grandes secas e as grandes inundações. É no fundo do Mar Egeu que tem a sua moradia, num belo palácio de ouro, e percorre o seu reinado numa carruagem, seguida por milhares de nereidas, hipocampos, delfins, ninfas e todas as deslumbrantes criaturas marinhas que encheram a imaginação de todo o tipo de artistas.

A criação do cavalo, a partir de um pedra usando o seu tridente, foi o seu contributo para a competição com Atena numa disputa pelo poder sobre a cidade de Atenas. Numa reunião no Olímpo, os deuses deliberaram que o domínio da cidade seria atribuído a quem fosse capaz de desencantar o presente mais útil á Humanidade. A sua oferta á humanidade, que lembra um pouco o significado de Sagitário,(cujo símbolo é um centauro, misto de homem e cavalo) não foi, no entanto, capaz de vencer a oliveira criada por Atena. (Está visto que para os Deuses o alimento, a vida e a luz que a oliveira representa valeram bem mais que tudo que o cavalo significa…)

Este rei aquático era conhecido pelos seus poderes mágicos que usava para se disfarçar, fazia-se envolver por uma nebulosa aura, atraindo com ela magneticamente as mulheres dos outros. Aproveitando com isso para as roubar e seduzir. Dizem as más-línguas que, uma vez que recebeu no seu reino os órgãos castrados de Saturno, também participou na progenitura de Vénus, a deusa do amor saída das suas águas, ou seja, deu início ao princípio da paternidade partilhada. E esta não é sua única filha famosa nestas andanças mitológicas, é possível que também conheçam Medusa e as suas várias cabeças e ainda Atlas que carregou o mundo nas suas costas. Há ainda quem lhe atribua a progenitura de Pégasus, ( a sua mania dos cavalos) embora não seja consensual este facto. Quem está habituado a ler nas entrelinhas mitológicas, já percebeu, entretanto, o essencial da simbologia deste planeta no enredo astrológico.

Neptuno representa o sonho, as fantasias mas também o vício. Nele não há limites e é impossível detê-lo. Tal como as suas águas, traz prazer, inspiração, mas pode afogar em destruição. Se observarmos a época em que foi descoberto o planeta, encontraremos algumas pistas sobre os seus múltiplos significados. Assim o nascimento da Cruz Vermelha, a criação dos Direitos Humanos, os contributos de Freud com a hipnose de depois com a psicanálise, o conceito de inconsciente colectivo de Carl Jung, o aparecimento da fotografia e do cinema e a sua inevitável criação de mitos e ilusões transmitidos massivamente. São bons exemplos da carga simbólica atribuída a Neptuno.

Como o seu ciclo pelo zodíaco leva 168 anos a completar, isto equivale a dizer que fica em cada signo aproximadamente 12 anos. Assim o signo de morada para cada geração, do Rei dos Oceanos, fala-nos sobre os mitos captados pelo inconsciente colectivo de cada geração. A sua morada no nosso mapa natal mostra onde procuramos pelo absoluto, onde teremos que lidar com a desilusão que segue, inevitavelmente, a ilusão, e indica o nosso roteiro para o caminho espiritual.

Como vem sendo habitual, fica a sugestão para procurarem um tradutor competente (vulgo astrólogo/a) que vos ajude a entender melhor o que Neptuno tem a dizer sobre o vosso plano individual de vida e, de que forma, melhor o podem sintonizar. Procure um perto de si, ou até longe, se quiser aproveitar as novas tecnologias,  e logo ficará mais claro o caminho a seguir… Até já,

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Visitas ao Báu-III :No reino de Hades, cumpram as regras…

Assim chegamos pois ao reino de Escorpião, onde Plutão é dono e senhor. 

 

 

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E desenganem-se se acham que ele se rala com as questões astronómicas que o despromoveram a planetóide, porque este senhor tem o poder imenso que vem do que não se vê. Acham que é preciso ser grande para ter muito poder? Vejam Napoleão, ou a energia atómica…

Como vem sendo habitual, vamos lá ver um pouco da biografia mitológica de Plutão, para melhor podermos perceber melhor o seu significado astrológico. 

Dizem as crónicas que é o filho mais novo de Saturno, e vou evitar fazer considerações sobre esta circunstância e sobre o poder dos filhos mais novos, e irmão de Júpiter e Neptuno. 

Quando Júpiter destituiu o pai da função de governar Olimpo, os irmãos decidiram fazer a partilha dividindo entre si os reinos. Para Júpiter ficou o céu, a Neptuno os mares e para Plutão o mundo inferior. 

O reino do submundo ficou assim sendo governado por este senhor de poucas falas, austero e impiedoso. Parece que até surdo a preces e imune a sacrifícios, e as suas leis eram irrevogáveis, até para os seus pares. Ninguém se atrevia a discutir os seus mandamentos. 

Embora presidisse ao tribunal perante o qual as almas eram apresentadas, não julgava nem condenava. Apenas assegurava que as suas regras fossem escrupulosamente seguidas. 

Para chegar ao seu reino obscuro, era necessário pagar portagem a Caronte, o barqueiro que fazia a travessia do Hades das almas e as entregava a Mercúrio. Lembrem-se que este é o único deus do Olimpo com livre acesso a todas as dimensões, que as conduzia ao tribunal. 

Cérbero, um cão monstruoso com múltiplas cabeças, guardava as margens do Hades e assegurava que nenhuma alma saísse ou nenhum mortal tentasse entrar. Aos que se atreviam estava destinado acabar no seu sistema digestivo. 

Para as suas viagens ao mundo da superfície, Plutão usava um capacete oferecido por Ciclopes que o tornava invisível. Por isso, podia observar com todo o sigilo e nunca ser visto. Se conhecem alguém com sol ou ascendente em escorpião, estou certa que vão achar piada a esta referência… 

E, por esta altura, devem estar a pensar…e então não há romance nesta biografia mitológica? Há, claro que há!! 

Plutão era tão feio que ninguém se apaixonava por ele. E ouvi dizer que ,numa partida pregada por Cupido que terá sido instigado por sua mãe, que achou que nem o senhor dos Infernos deveria estar imune ao fogo da paixão, acabou apaixonando-se por Proserpina, sua sobrinha, filha de Júpiter e Ceres, divindade da agricultura e dos ciclos agrícolas. 

Portanto,ele não teve outro remédio senão tomar posse do objecto do seu amor e, transportado pelo seu carro conduzido por cavalos negros, penetrou no mundo inferior com a sua presa. 

Está-se mesmo a ver que Ceres não apreciou a ideia de ver a sua filha subtraída à sua presença e recorreu à justiça de Júpiter. Já repararam que isto está sempre a acontecer? Que difícil deve ser para Júpiter aturar tantas reclamações. 

Bem, voltando à questão levantada por Ceres, era tão difícil tornear as leis de Plutão que só foi possível conseguir um acordo e então Proserpina passou a viver seis meses de frio no mundo dos mortos com o seu marido, e os restantes seis com a sua mãe, ajudando-a a povoar os campos agrícolas de colheitas. 

Já estou mesmo a imaginar algumas mentes, a pensar que esta seria uma excelente saída para muitos casamentos …

Para terminar, a advertência costumeira para que estejam atentos ao posicionamentos por signo e casa deste poderoso senhor. Para isso, já sabem que precisam de conhecer estes dados e recorrer a um(a) tradutor(a) de confiança ( vulgo astrólogo/a) para transformar esses dados em informação útil. 

É fundamental conhecer as leis que Plutão no seu mapa quer ver cumpridas, para melhor se adequar às suas exigências e saber onde pode encontrar fornecimento energético para o seu processo evolutivo e para transformar tudo aquilo que já não funciona a seu favor. 

Depois da travessia pelo mundo escuro e sombrio, chegaremos aos Campos Elísios e estaremos perante o brilho de Júpiter! 

Visitas ao Baú-parte II :Vamos falar de Vénus

Com o Sol em Balança, é boa altura para republicar este texto

Vamos agora adoçar o tom, e hoje fala-se de Vénus, deusa do amor e regente do segundo signo do Zodíaco, Touro e do sétimo, Balança.

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Como é costume nestas coisas de deusas e deuses, existem várias versões sobre o seu nascimento. Nasceu já adulta, e diz-se que é filha de Úrano, fruto do sémen que se espalhou pelo mar quando Saturno, que também era filho de úrano, o castrou.

Coisa muito complicada esta relação pai e filho, e que será fruto de análise noutra crónica. Relevante astrologicamente será o facto de Saturno e Vénus serem irmãos por parte do pai…

E como também, e é melhor que se vão habituando a isto, no essencial, a estória dela é a mesma de Afrodite, deusa grega , nomes diferentes, identidades próximas. É que a globalização não é coisa exclusiva dos nossos dias. Os Romanos fizeram-na muito bem e assimilaram tudo o que de mais importante as outras civilizações construíram.

Voltando a Vénus, quando chegou ao Olimpo, andaram todos os deuses “à turra” para ficar com ela, arrebatados pela sua beleza.

Tal como agora, naquele tempo, certos favores precisam de ser pagos, e Vulcano tinha ajudado Júpiter numa batalha fornecendo-lhe os raios com que ele derrotou os gigantes, logo teve direito a uma benesse especial.

Pobre de Vénus, presa num casamento de conveniência com um Deus. Está certo! Era um deus, mas feio como sei lá o quê, e ela acabou por se envolver com outros habitantes do Olimpo.

Uma dessa estórias foi abordada na crónica anterior e é mais famosa de todas. Foi a da paixão por Marte, que acabou enredada por uma rede invisível lançada pelo marido ciumento e exposta à risota de todos os outros deuses.

Adoro um pormenor que só mesmo uma deusa seria capaz. Ao ser abandonada por Marte, após a exposição pública, Vénus ressentida lançou-lhe uma maldição. Como qualquer mortal do sexo feminino sabe, este é um estado pouco propício a boas ponderações. E vai que Vénus resolver amaldiçoar Marte fazendo com que ele se apaixonasse por qualquer uma. Obrigadinha Vénus.

A sua ligação com Mercúrio e Baco também encheram páginas de revistas, e os filhos destas relações acabaram por ter o seu lugar. De Mercúrio nasceu Hermafrodito e de Baco Príapo. Todos eles personagens habituais de estórias bem apimentadas.

Há ainda o episódio delicioso, com Adónis, que acabou transformado em cervo, por Marte, muito zangado por ter sido trocado por um mortal. Boa lição para os mortais que se atrevem a meter-se com deusas, não concordam?

E de mitologia o essencial está referido, e traduzindo para astrologia, e com a ajuda de um(a) bom(a) astrólogo(a), através da colocação por signo e casa do planeta Vénus no vosso mapa, das suas dúvidas e certezas, podem obter pistas preciosas sobre como usar este pequeno tesouro, sobre o que apreciam e como a manter feliz. Não vá ela lançar-vos uma maldição…

Visitas ao Baú-parte I

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Porque todos temos dias em que apetece começar, fui ao baú recuperar esta crónica sobre o Senhor dos Começos.

E com Marte tudo começa

Então hoje começo a falar de astrologia, continuando a não falar da mesma, e ainda assim falando

Porque vamos começar por conhecer um pouco sobre Marte.

E não por acaso, claro, porque tal como o pai natal e os unicórnios, acaso é coisa de estórias e não da vida real.

Começamos por Marte, porquê? Dizem vocês

Porque sem Marte não há inícios. Regente do 1º signo do zodíaco, Carneiro, é por ele que nascemos, que nos levantamos de manhã, que iniciamos as crónicas no blog da Ana, enfim, sem Marte não há inícios.

Simboliza o impulso de acção que rompe a inacção. E quem tiver algum Carneiro por perto, sabe bem do que falo…

Deste senhor contam-se muitas histórias e muitas versões. E se por acaso lerem algum estória semelhante e em vez de Marte encontrarem o nome Ares, não se admirem, é o nome que ele usava para os Gregos. E a que mais gosto é a estória de amor de Marte e Vénus, deusa do Amor e da Beleza.

E como até os Deuses tinham dificuldade em cumprir regras e normas, a coisa foi complicada porque Vénus era casada com Vulcano, que obviamente não achou piada nenhuma aquele romance e armou-lhes uma rede. E quando escrevo rede, não estou a usar uma figura de estilo, já que ele atirou-lhes para cima com uma rede mesmo. E ainda chamou todos os Deuses para presenciarem a cena…

Deste amor nasceu o famoso e celebrado Cupido, que anda por aí a disparar flechas e, como se vê pelo exemplo paterno, nem sempre sabe o que faz. Conta-se que Marte teve outros filhos, que o acompanhavam nas batalhas, Deimos (medo) e Fobos (terror), e que apesar de durão tinha o seus momentos de fraqueza . as más línguas asseguram que numa batalha, quando uma pedrada de Palas o derrubou, chorou como um menino mimado.

Quando consultarem a(o) vossa(o) astróloga(o) perguntem que tal está o vosso Marte e poderão entender melhor porque vos tem faltado a energia ou, então, porque se sentem tão heróicos e assertivos.

Peçam para vos falarem sobre o signo onde ele encontrou poiso no vosso mapa, e saberão melhor como podem mantê-lo sob controlo e usar esta força vital a vosso favor. E acima de tudo, não o irritem, porque tem fama de ser irascível.