Memórias de uma Lua na casa XII

moon_cloudy_night_01.jpgComo todos os que estudam Astrologia sabem, mal se começa a estudar esta Linguagem a curiosidade instala-se de forma permanente e não há assunto ou tema sobre o qual não nos interroguemos sobre com que tipo de aspeto astrológico poderá estar relacionado.

E eu, não fugindo a essa regra, no âmbito da Hipnoterapia, atividade que exerço em paralelo com a Astrologia há mais de 10 anos, ganhei o hábito de pedir os dados de nascimento em todas as minhas consultas.

Desta forma, o mapa astrológico de cada um dos meus consulentes acompanha todo o processo terapêutico, sendo um auxiliar importante na definição do processo e abordagem adequada aos casos apresentados.

Neste artigo, que fará parte duma série de casos de estudo sobre as relações entre Astrologia e as memórias de Vidas Passadas, irei partilhar um caso clínico, focando o tema dos posicionamentos na casa XII, correlacionando as memórias recuperadas em transe hipnótico com as propostas apresentadas num dos livros que, nos últimos anos, mais me fascinou, The Four Gates of Karma” de Aleksandar Imsiragic .

A seleção deste caso teve em consideração, e para reforço deste significado, que em três tipos diferentes de sistemas de casas, (Casas Iguais, Placidus e Signos Inteiros) o posicionamento por casa da Lua é o mesmo, ou seja, a Lua encontra-se na casa XII em todos estes sistemas. Nesta análise apenas teremos em conta os posicionamentos radicais do tema.

O que se pretende evidenciar neste artigo é o quanto é significativo o facto, de tantas vezes, nas sessões de terapia regressiva de vidas passadas, os cenários e enredos descritos demonstrarem correlações importantes com os posicionamentos do mapa da pessoa em questão.

 

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Caso de estudo

Lua1

“Na encarnação anterior, viveu como mulher ou desfrutou de grande popularidade. De qualquer forma isso criou uma grande ligação ao país ou grupo ao qual pertencia. É por isso, esta pessoa é assombrada por um senso de falta de identificação que se traduz num sentimento de não saber o seu lugar e o sentimento de que deveria estar noutro lugar. Se conseguir encontrar o caminho para esse “lugar ideal”, poderá sentir isso como muito familiar. Isto pode traduzir se no facto da pessoa não ter tido a oportunidade de receber amor e proteção adequados da sua mãe. Esta é a razão da sua instabilidade psíquica. A Alma guardar muitas experiências que a sensibilizaram, como se houvesse a necessidade de voltar a viver situações semelhantes uma vez mais.”

 

Caso:

Esta jovem mulher, chega à consulta sem apresentar nenhuma queixa em especial, mas descrevendo uma recente necessidade que a surpreendeu, já que sempre se mostrou relutante a respeito terapia de vidas passadas, e nas semanas antecedentes á data da consulta deu , por variadas vezes, consigo a colocar a hipótese de tentar conhecer algo sobre as suas vidas passadas. Assim apesar da sua própria surpresa resolveu honrar a sua intuição e procurou-me para a conduzir nesse processo.

Trabalha como enfermeira num grande hospital citadino, e apesar de todos os desafios inerentes a esta exigente atividade, ama o seu trabalho e sente-se realizada e com senso de propósito naquilo que faz. Na vida pessoal, a dificuldade nos relacionamentos românticos é sentida como uma área sensível, já que ainda não viveu nenhuma relação satisfatória, mas o que mais a preocupa neste momento, é a sensação de não pertença a esta época e a este mundo.

Fala sobre uma profunda ligação à família, embora não sinta uma grande identificação com a mesma, no entanto, o sentido de responsabilidade é muito forte. No seu relato descreve que, embora seja a filha mais nova, é a que assume as tarefas de cuidar dos seus familiares, seja nas situações de crise, seja como o laço de união promovendo encontros e situações para a família conviver. Apesar disso, sente que é diferente de todos eles e que a sua importância no clã se deve apenas aos seus deveres que cumpre rigorosamente. O sentido de não pertença que seria expetável até pelo seu signo solar (Aquário), reforça o significado da interpretação da posição da Lua na 12ª casa como um significante de sensação de quem viveu uma posição de grande popularidade, que aqui se apresenta acrescido dum sentido de responsabilidade pelos que considera seus dependentes.

Na sessão em que fomos à procura da origem do peso que sente no tema da responsabilidade familiar, viu-se como mulher numa situação de poder numa comunidade ligada à natureza, onde percebeu que se estudavam assuntos proibidos na altura. Descreveu um episódio na floresta, onde todos viviam num cenário de grande alegria e sentido de partilha. Duma forma que sentiu como muito forte, viu-se a si mesma como líder daquela gente que a adorava e respeitava. Estudavam as artes medicinais e isso incomodava o poder das populações circundantes e, por isso, viviam com alguma reserva e afastamento das mesmas. A determinada altura, um dos membros dessa comunidade, alguém que reconheceu como uma amiga muito próxima nesta encarnação, denunciou as atividades do grupo o que determinou um ataque agressivo. Por ter resistido à invasão, acabou por morrer degolada na sua própria casa.

No final desta sessão, conseguiu perceber que as decisões que terá tomado enquanto líder daquela comunidade, podem ter conduzido àquele terrível desfecho, o que pode ser astrologicamente validado pelo quincôncio que envolve a Lua, Saturno e Marte. Nesta encarnação, vive o efeito dessa memória inconsciente na responsabilidade que assume na família e o desejo de salvar vidas que a conduziu na sua escolha de carreira.

A pessoa que naquela encarnação traiu a sua confiança, está presente nesta vida e o tema parece estar a repetir-se. Ficou a ideia de que poderá ter guardado um sentimento de culpa por não ter antecipado a traição e por ter confiado em alguém que acabou por se revelar não merecedora disso.

Analisando a última conjunção da Lua, neste caso, com o Sol na casa X, no signo de Aquário, encontramos um reforço destas interpretações. De acordo com o autor do livro referido, quando a última conjunção da Lua se dá com o Sol, fala sobre a possibilidade desta pessoa ter tido uma posição de grande notoriedade na vida anterior quando o aspeto de ligação é favorável, o que é o caso deste sextil partil entre os dois luminares.

Podemos argumentar que o Sol em Aquário na décima casa, já condiciona a pessoa para uma posição de responsabilidade social, com o sentido de Justiça e Igualdade aquariana. Mas é a posição da Lua por casa que nos pode guiar no entendimento a respeito do sentimento esta jovem descreve de não pertença que é generalizado a todas as áreas da sua vida.

A experiência que relatou na sua primeira sessão de hipnose regressiva, ajudou a entender o sentido de responsabilidade que, nesta vida, tenta responder das mais variadas maneiras, o que não lhe é difícil dada a proverbial abnegação do sol aquariano. No entanto, ainda não era claro para ela nem para mim, o sentimento de não pertença que ela descreve como presente de forma generalizada em todas as suas relações. Fala como se não se conseguisse identificar com ninguém e menos ainda com a sociedade atual. Embora este não seja um aspeto surpreendente num sol de Aquário, pela linguagem verbal e não verbal com que descrevia este sentimento foi facilmente percetível que seu sofrimento era bem mais profundo do que poderia parecer numa primeira análise.

Numa sessão posterior, analisamos mais profundamente todo o conteúdo emocional e ficou mais claro a relação entre as memórias que recuperou da vida enquanto líder e dos custos e dores que isso lhe trouxe, e por isso, nesta encarnação, de forma inconsciente obriga-se a esse sentimento de não ser igual , de não pertencer como forma de escapar à memória de dor.

Embora, já fora do âmbito do tema deste artigo, mais tarde, descobrimos outra razão para os sentimentos de exclusão, estando ligada a uma lealdade com uma familiar falecida antes dela nascer e cuja memória a família tenta esquecer. Honrada a existência e contributo dessa antepassada e com os insights da sessão regressiva de que falamos, aquele sofrimento inicial começou a tornar-se mais leve e sente-se mais conectada com esta vida e com o seu propósito atual.

Termino, reafirmando o quão privilegiada me sinto como Hipnoterapeuta por poder aceder ao mapa astrológico dos meus consulentes e o quanto isso faz a diferença no meu trabalho, guiando as abordagens que escolho e a eficácia que a informação astrológica acrescenta aos processos terapêuticos.

 

  1. The Four Gates of Karma, Akeksandar Imsiragic, Astro.Lab, Belgrade, 2016. Citação extraída do capítulo: Planets in the 12th House, traduzida pela autora do artigo.

2. Fonte imagem: https://all-free-download.com

Nota: artigo publicado em inglês, (18.08.2019) aqui: https://isarastrology.org/carmen-ferreira-memories-of-a-12th-house-moon

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